Wednesday, September 03, 2008

i'm back

bom, depois de um bom tempo de abandono, tô eu aqui de volta. de volta ao brasil e de volta a tentar atualizar esse blog deeeesde lá atrás, na primeira parte da viagem ainda. já fazem umas 5 ou 6 semanas que eu tô em ctba, já deu pra descansar, matar as saudades de todos, ficar entediada com a cidade de volta e até começar a sentir saudades de volta, de pessoas e particularmente da estrada. eu não sofro mais de choque cultural cada vez que eu volto, mas dessa vez sofri de choque de velocidade. depois de meses acordando num lugar e dormindo em outro, vivendo a mil km por hora, diminuir pra dez foi um tanto quanto drástico, mas tudo bem. logo eu começo a correr de volta e aí vou reclamar que não consigo sentar e descansar e ficar um pouco parada no mesmo lugar. mas até isso acontecer eu volto aqui pro meio de maio e tento contar o que eu me lembro da viagem.

Thursday, July 03, 2008

malditos, malditos, malditos!!!!

se nojo ou ódio matassem eu tava way gone a essa altura. nesse exato momento, enquanto eu escrevo aqui tem um rato se mexendo dentro do lixo da cozinha. eu tava lá, feliz da vida fazendo um chazinho pra mim e pro muri qndo escuto o barulho e vejo o plástico do lixo se mexendo. aí eu tampei direito bem rápido e coloquei umas garrafas de vidro do lixo reciclável em cima pra ele não conseguir sair enquanto a gente pensa num plano... e dá pra ouvir ele se mexendo lá dentro. e é assim absolutamente nojento!!!! e eu odeio eles muito muito muito. eu queria mais é deixar ele lá preso, morrendo uma morte bem vagarosa, morrendo de tanto comer lixo e explodir, sei lá. a gente tá com medo de tentar abrir a tampa pra fechar o plástico e ele, que é muito mega mais rápido que nós humanos, super fugir e ir pra um dos quartos e nos assombrar noite adentro. então o que a gente vai tentar fazer é levar o lixo fechado até lá embaixo e fazer a operação na rua. 
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update: rolare! a gente levou lá embaixo e o nojentão devia estar tão enfurnado no meio do lixo que não teve tempo de fugir e a gente trancou ele com mais um sacão de lixo bem fechadinho e largou lá fora e continuava ouvindo ele se mexendo lá embaixo. eerrrrght
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esse lance de rato aqui é muito uma desgraça, tipo uma praga mesmo. os meninos moram em brick lane, onde tem milhares de restaurantes indianos, um do lado do outro, e embaixo desse prédio em específico tem um greasy fried chicken que exala um cheirão de gordura que dá pra sentir até na próxima quadra e, no nosso caso, no terceiro andar. e como essa galera não é assim exatamente limpinha, acabam rolando milhões de ratos. é tipo a concentração mor de ratos de uma cidade com muuuuuuitos deles everywhere.
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semana passada, na mesma noite do show do radiohead a gente tava aqui, o hugo no saco de dormir no chão e eu e muri na cama. eles já tavam dormindo e eu tava sentada no computador colocando as fotos do show aqui qndo escuto um barulho vindo da minha mochila que estava no chão. pensei que fosse a mochila se ajeitando, dando uma escorregada, sei lá. aí veio o barulho de volta, de umas unhinhas arranhando a mochila e eu dei um "caralho, tem um rato aqui!!!" e ele correu pra debaixo da cama, ao mesmo tempo em que o murilo acordou e pulou pra cima dela e o hugo levantou. aí a gente pensou, pensou e resolveu que... um: hugo não podia dormir no chão de jeito nenhum pro rato não andar na cara dele, porque a gente ouviu um caso de um cara que acordou com o rato comendo o tatu do nariz dele. dois: não tinha absolutamente nada que a gente pudesse fazer. e três: o lazarentinho tava tentando entrar na minha mochila porque eu gordines tinha esquecido uma porra dum donut dentro dela, pode??
aí jogamos o donut no lixo, colocamos a mochila na prateleira mais alta porque tbém tinha um pote de açaí comido dentro (sim, sou meio mendigona, sorry), fomos os três dormir esmagados na cama e qndo eu começo a relaxar e pegar no sono... shlargh shlargh shlargh! o filho duma égua se mexe de volta embaixo da cama e nós, a grown woman e dois marmanjos, levantamos de salto ao mesmo tempo e ficamo tudo cagado morrendo de medo de um ratinho!!!
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depois a gente foi viajar e o hugo disse que viu ele de volta, fuxicando nas malas do muri. e realmente não tem o que fazer, vc mata um, no dia seguinte tem três. e além de tudo, eles são tipo espertos, aprendem como as armadilhas funcionam e não caem mais nelas. pelo menos são daqueles camundongos, não os ratões que atacam tipo aquele que passou por cima do meu pé em los angeles. de qquer jeito é nojeeeeento demais e desperta os mais obscuros desejos assassinos e sádicos de dentro de nós. some scary shit!
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abaixo um passo a passo do acontecido:
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1 - o lixo "trancado" pelas garrafas
2 - erwan levando o lixo com o rato dentro lá pra baixo
3 - erwan e muri se preparando pra abrir o latão
4 - missão cumprida com sucesso e ratão preso no sacão de lixo duplo
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Tuesday, June 24, 2008

one of those things - radiohead at victoria park, london

show do radiohead hj a noite, nem consigo dizer nada. ficam aí unas fotijas e o set list absurdo. qndo eu voltar de glastonbury coloco vídeos.
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01 - 15 Step

02 - Bodysnatchers

03 - All I Need

04 - The National Anthem

05 - Pyramid Song

06 - Nude

07 - Arpeggi

08 - The Gloaming

09 - Dollars and Cents

10 - Faust Arp

11 - There There

12 - Just

13 - Climbing Up The Walls

14 - Reckoner

15 - Everything In Its Right Place

16 - How To Dissappear Completely

17 - Jigsaw Falling Into Place

Bis 1:

18 - Videotape

19 - Airbag

20 - Bangers ‘n Mash

21 - Planet Telex

22 - The Tourist

Bis 2:

23 - Cymbal Rush

24 - You And Whose Army?

25 - Idioteque

Monday, June 23, 2008

santa barbara

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santa barbara é a cidadezinha mais fofa. depois de passar um tempo em carbondale e LA, onde tudo é grande, não dá pra andar a pé e é cheio de cadeias de lojas imensas pra todos os lados, santa barbara foi um alívio. é tudo baixinho e verde e bonitinho. na rua principal, onde ficam todas as lojas e onde rola o farmer's market, é tudo ajeitadinho e até as grandes cadeias tipo cingular, barnes and noble, etc, são obrigadas a serem menores e a terem placas que ornem com o resto do ambiente ao redor delas. até os ônibus são pequeninos e as placas de rua são assim... típicas. 
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e isso aí embaixo é o tribunal deles, de mil oitocentos e bolinha, eles ainda usam do jeito que era. dá pra visitar, é turístico, mas aí tem umas audiências rolando, uma galera de terno trabalhando por lá e tal. e uma torre em cima com vista da cidade inteira até o mar. e tbém tem altas missões espalhadas pela califórnia. uma delas é o último prédio aqui. o lance é que no começo do século passado teve um terremoto gigante que destruiu metade da califórnia, então vc vê esses prédios antigos e tão super típicos e pensa "wow, tô aqui nesse lance que tá aqui há tanto tempo", mas aí no canto tem uma plaquinha dizendo "prédio destruído no terremoto de ..., reconstruído em ..." ou seja, eles são réplicas deles mesmos, meio tipo uma síndrome de disney.
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Thursday, June 19, 2008

london

Eu cheguei em Londres ontem de manhã, num fuso horário muito do estranho e com 3 horas de atraso. O tempo aqui tava meio sol, meio nublado, típico de Londres e tipo uns 18 graus, tipo metade do que tava em NY. Pelo menos os dias duram pra sempre, tipo as 10 da noite ainda tá claro lá fora.

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Enfim, chegar em Londres foi muito, muito estranho. Porque continua tudo exatamente igual, as pessoas, os lugares, as ruas, o meu número de telefone, o meu cartão do metrô que ainda tinha dinheiro dentro, tudo! E como eu saí daqui muito morrendo de vontade de sair daqui, voltar 7 meses depois e encontrar tudo igual meio que me deu um flashback ruim.

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Qndo eu mudei pra cá no final de 2006, o Hugo já tava aqui há uns 6 meses, e morando num hotel espelunquinha do lado da escola dele. Eu cheguei e fiquei na casa do Chris, um amigo meu, mas a gente queria uma casa muito rápido, e eu disse pro Hugo que em uma semana a gente ia ter uma casa. Não deu outra, enquanto ele tava ocupado com a escola eu vi milhões de apartamentos e o nosso era um que a gente só não se desencontrou com o cara por um segundo e ele não queria alugar pra estudante, mas a gente ofereceu pagar 3 meses adiantado e ele queria se livrar do lugar logo pra ir viajar no natal, então não resistiu. Eu cheguei em Londres numa quarta-feira a noite. Na quarta-feira seguinte a gente tava dormindo na nossa casa pela primeira vez. E como o Hugo tava morando num hotel, já tinha revirado essa cidade atrás de um lugar antes de eu chegar e eu tava num quarto da casa da minha mãe que não era mais o meu antes de vir, e muito enjanbrada em NY antes disso, os dois com um trauma de ficar se mudando, ter a nossa casa teve todo uma importância a mais. Então a gente queria muito que fosse um lar, e não uma casa de estudante internacional. 

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Os apartamentos aqui vem quase sempre mobiliados qndo vc aluga, e o nosso tbém veio, com cama, armário, fogão, geladeira, sofá, tudinho, e um carpet cor de salmão horroroso que a gente fez um acordo com o landlord que a gente ficava com o ape se desse pra tirar o carpet. No sábado de manhã eu acordo e o Hugo já tinha tirado quase tudo. Então a gente pegou o carpet e uns móveis que a gente achava feio, alugou uma van e mandou de volta pra casa do cara, lixou o chão debaixo, que era lindo e de madeira, pintou em cima, comprou altas coisas, porque não vem com prato, talher, essas coisas menores, Hugo tirou a cortina do banheiro e colocou um box de vidro e até construiu um trocinho de mandeira e pintou de preto pra dar um acabamento melhor no canto da lareira. Enfim, virou a nossa casa. E ela era muito da legal, tinha várias plantas e a lareira funcionava de verdade, era a gás, mas fazia um fogaréu e eu gostava de dormir no chão na frente dela no inverno, tão perto que quase queimava as costas. Eu passei muito tempo do meu ano passado dentro dessa casa.

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Aí eu fui embora e o Hugo até podia ter alugado meu quarto pra alguém, mas ele não quis, disse que não queria morar lá com nenhuma outra pessoa. Por sorte bem na época, a menina que morava num dos quartos da casa do Erwan, o melhor amigo do Hugo aqui, tava indo morar com o namorado e o Hugo ficou com o quarto dela. 

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Esse quarto é bem grandão e o Hugo trouxe tudo o que era nosso com ele. A tv de £9, que a gente comprou num yard sale e ainda tem o post it com o preço colado em cima, o móvel de ferro vermelho, o vaso de flores que ele acidentalmente roubou da outra casa porque achou que fosse nosso, os travesseiros que agora ele tem em dobro na cama dele porque juntou com os meus que eu deixei pra trás, os sacos de dormir, o espelho do meu quarto, as plantas, as chícaras de chá lindonas, bem compridas com detalhes em dourado, nossos talheres que agora estão misturados com os do Erwan, os panos de prato, os abajures... Enfim, tudo o que tava lá que era nosso, agora tá aqui, e eu tô aqui, mas essas coisas não são mais minhas. E as coisas que a gente faz tbém são as mesmas. Qndo eu cheguei de manhã o Hugo tava ouvindo o mesmo album do Morrissey que a gente sempre ouvia de manhã, largado na cama dele trabalhando, como em toda manhã. E as flores do vaso tavam secas e podres, igualzinho antes, porque nenhum dos dois se ligava de tirar. E na escola tava todo mundo igualmente enlouquecido fazendo projetos. E qndo eu voltei pra casa eu fiz o que eu sempre fazia, comprei flores  frescas e uma lasanha do Marks & Spencer. E um garrafão de Perrier na deli da esquina.

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E cheguei em casa e me deu um desespero, do tipo "caralho, me tira daqui!! Voltei pra vida da qual eu tinha fugido!" Foi muito estranho, mas na verdade não foram essas as coisas que me fizeram sair correndo, foram outras, que nem existem mais. Eu tô shaking the bad flashback off aos poucos, porque essas coisas eu adorava. A casa, as pessoas, as minhas coisas. E mesmo sendo uma sensação estranha, é no fundo extremamente confortante, e ao mesmo tempo em que eu me sentiria em casa na casa do Hugo seja ela qual fosse, essa tendo tantos resquícios meus me faz sentir mais em casa ainda.

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E aí hj eu não saí dela, passei o dia todinho aqui, de pijama embaixo das cobertas, meio com um ruinzinho de sair na rua, aqui quietinha, tentando reabsorver Londres no meu sistema, pra poder aproveitar ela. E já com uma gripe e uma dor de estômago, como não podia deixar de ser. Mas a noite eu saí pra jantar com o Chris, o mesmo que eu fiquei na casa qndo cheguei, que é meu amigo e tipo pai e fada-madrinha desde que eu cheguei aqui pela primeira vez, três ano e meio atrás. Ele sempre me dá um teto e se certifica que eu tô bem, e larga as coisas pra me dar um colo em momentos de desespero. E depois fui tomar minha cerveja preferida of all times com a Claudinha num bar que eu adoro perto da casa velha. E aí me dar conta de que eu posso falar que tem alguma coisa que é minha preferida em algum lugar que eu adoro aqui foi genial. E eu vim andando pra casa bem mais feliz, e mais confortável. E me sentindo em casa mesmo. E me fez feliz entrar e largar minhas coisas em cima do móvel vermelho que eu conheço tão bem.

Tuesday, June 10, 2008

road trip day 1 - los angeles to santa barbara

nosso carrones
almoço/picnic
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a gente saiu pra nossa road trip dia 20 de maio de manhã. eu, meu amigo kevin e a amiga dele, elheme. não sei se eu contei pra todo mundo como isso rolou, então lá vai resumido. eu conheci o kevin ano passado em londres no mestrado, ele tava na turma de fotojornalismo que eu abandonei pra ir fazer o fine art. ele é de orange county e depois do curso tbém voltou pra casa. qndo a minha viagem tava todinha programada de trem, eu escrevi pra ele dizendo que ia tá em los angeles, se ele tava around e tal. ele me respondeu dizendo que estava saindo numa road trip com uma amiga francesa que estava vindo visitar e me convidou. eis que eram exatamente as mesmas datas que eu ia ter pra ficar por aí, entre o casamento da marida e encontrar craudinha em NY. topei na hora. eu conheci a elheme no domingo, morrendo de medo da gente se odiar, mas ela é ótima e a gente se deu super bem. na terça de manhã eles me pegaram na casa da cris, numa mercedez de uns vinte anos de idade. gigante, cor de champagne, símbolo na frente dourado, bancos de couro bege, tipo boy de vila mesmo. e cara de que não ia aguentar nem os primeiros quinhentos quilômetros, porque fazia um poc poc poc contínuo e alto, que o kevin jurava que era bem normal.

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tava nublado em los angeles, o primeiro dia fresco em vários de calor absurdo. eu achei até bem agradável. bem da burra na verdade, porque o frio que eu passei depois disso não foi nem um pouco agradável. eu vim preparada pro calor, pra viver a vida sobre as ondas. na minha mala modesta, a menor que eu já fiz pra fora do país, tinham dois pares de meia, uma calça jeans, uma calça de malha daquelas molinhas de fazer yoga, um cardigan fininho, a blusa que eu roubei do vô do murilo, uma camiseta de manga comprida e uma outra blusa tbém de manga comprida bem bonita, mas que é só pra enfeite mesmo, porque o tecido é frio, fino e sintético. fora isso, inúmeros vestidos, shorts e camisetas, um biquíni, uma canga, uma toalha e um protetor solar que eu não cheguei a usar. ao invés da vida sobre as ondas eu ganhei uma vida sob os ventos. violentíssimos diga-se de passagem.

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enfim, voltando. o plano era subir a costa da california pela highway 1, aquela famosa dos penhascos, curvas, desfiladeiros e do pacífico azulzinho acompanhando do lado. ela tbém entra em alguns momentos e junta com a 101 e aí tem de tudo, mato, montanha, deserto, plantação. a primeira parada seria santa barbara onde o kevin tem uma amiga. so off we went. levou um tempo pra conseguir sair do trânsito em los angeles e o primeiro contato com o mar foi malibu. eu devo confessar que a primeira vez que eu vi o pacífico, uns dias antes, eu tava super animada e me decepcionei, porque era igualzinho ao nosso marzão velho do paraná, só que com muita alga e uma água muito muito gelada. mas a medida que a gente foi se afastando das praias eu comecei a entender. e na falta de palavras certas, espero sempre que fotos se expliquem por mim. mas de repente minhas duas câmeras e um par de olhos não eram suficientes. eu olhava pra trás e pra frente e pro lado, e fotografava e fotografava e pensava em mais pares de olhos para mais câmeras. foram dias de estrada até eu conseguir relaxar e dormir ou ler no carro, todo aquele meu pedido da amazon intacto na minha mochila. 

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e eu nem sabia que aquilo não era nada, que o bonito mesmo ainda estava por vir. agora olhando as fotos pra por aqui tô meio com vergonha, porque não parece assim nada demais, mas eu juro! eu juro que era bem lindo. 

i heart new york

tá um calor louquíssimo em NY. nesse exato momento são tipo meia noite e eu cheguei em casa suando que nem uma condenada. o calor não passa qndo anoitece, fica exatamente igual, mas sem sol pra tostar o cucuruto.
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ontem aconteceu a coisa mais bizarra. eu tava andando na rua e começou a dar uma chovida, o que parece ótimo pra dar uma refrescada, certo? errado. a água da chuva chegava na calçada, mas o chão tava tão tão tão absurdamente quente, que a água evaporava imediatamente e subia aquele vaporzão quente. como se o mundo tivesse virado uma great big sauna húmida. de verdade, juro! sorte que choveu bem pouquinho.
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apesar disso tudo, do calor louco, da cidade feder mais loucamente ainda e eu passar o dia todo melada porque além de calor é húmido, eu tô feliz da vida. eu e o resto da cidade, na verdade. as pessoas ficam por aí na rua até bem tarde, todo mundo feliz all around, parece que tem vida acontecendo o tempo todo em cada centímetro da cidade, todo mundo quer fazer coisas e aproveitar o dia e o calor e tal. prova da alegria e boa vontade dos culegas é que ontem o exército da salvação tava distribuindo água mineral de graça pras pessoas na rua, pra dar uma refrescada. tipo fofo, or what?
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tbém é legal reparar nas roupas das pessoas, porque o calor é tão desesperador que a galera apela e tem gente que usa o mínimo possível, tipo micro-micro-micro shorts mesmo. e eu adorando e exercitando todinha a minha brasilidade, pro desgosto da claudinha, que chegou hj, mas que vai ter que adotar a moda loguinho, loguinho porque a pobre não tava preparada pro calorão e quase morreu de calça jeans. 
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mudando um pouco de assunto, uma coisa boba, mas que eu fiquei feliz. eu fui na loja que eu trabalhava rever minha ex-chefe. ela não tava lá porque acabou de ter o terceiro filho, mas eu fui comer meu tradicional muffin de banana com caramelo na deli da esquina onde eu ia todo dia e não é que o mexicano que trabalha lá me reconheceu?? eu entrei bem normal, nem me passando pela cabeça que ele soubesse quem eu era e ele: "hey, vc!!! faz tempo que vc não aparece, o que aconteceu???" e eu "siiiiiim, dois anos!" e bla bla bla, 5 min de papo com o cara da deli, e uma mini tristezinha porque eles não tem mais meu muffin preferido, mas tudo bem. já consegui comer em três do meus vários lugares preferidos.
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bom, por mim eu ficava aqui escrevendo de NY pra sempre e enchendo os outros com o qnto eu acho legal isso e aquilo e a peida. mas eu vou me esforçar pra voltar pro começo de tudo, senão vou acabar não fazendo nunca. here we go!

Wednesday, June 04, 2008

the end has no end

mais uma interrupção na ordem cronológica disso aqui pra um pouquinho de mourning. minha road trip acabou. eu nem tinha me dado conta, e na verdade tava locona já pra ir pra new york, porque o new mexico é um tédio só. tbém tava cansada de garfo e faca de plástico, de dormir no carro, de falta de banho e de civilização, por mais que eu adore essa vida e tenha sido isso que eu vim buscar mesmo. e por mais que os últimos dias tenham sido bem dos civilizados. o que eu não tinha me ligado era que deixar o new mexico era mesmo o fim da jornada.
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foram exatos 4.358 km de estrada, 4 estados, 15 dias de viagem, 
38Gb de fotos. a maioria ruim, de turista mesmo. mais não sei qntos 
rolos de filme e uma montanha de sentimentos e impressões que vão 
levar um bom tempo pra processar e entender.
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eu queria que acabasse, porque tava na hora mesmo já, o que não muda em nenhum nível o qnto foi maravilhoso, mas todo mundo tem um limite pra viver no limite, pra viver em grupo, pra dividir tudo. até um limite pro tanto de coisa nova que se consegue processar em tão pouco tempo. mas na pressa do meu tempo ser meu de volta, de poder ficar sozinha, de ter espaço físico e psicológico pra processar tudo isso, alguma coisa ficou estranha. e agora eu tô aqui, sentada na varanda delícia de um hostel em albuquerque, chamado route 66 (porque ela passa por aqui mesmo, a famosa). tá um calor gostoso desses com brisa e eu tô esperando o meu vôo amanhã cedinho, sem saber bem como me sentir, com um vaziozão ocupando metade desse peito bronzeado. e a outra metade com uma alegria pelo que está por vir. e mais ainda por essa viagem ter acontecido independente de qquer coisa. feliz e vazia e cheia e sozinha, bem sozinha do jeito que eu tava precisando. o kevin voltou pra santa fe, tbém sozinho e com medo de como vão ser os próximos dias dele. a elheme já tá no avião pra ny tbém. a gente se ve amanhã mesmo.
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e tem o tyler e a chenoah me esperando lá, fofos e animados e de portas abertas, o que é bem confortante. 
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então é isso, agora vou voltar pro dia em que a viagem começou, que é o próximo post da lista. :)

a whole bunch of random LA stuff

highway ligando um bairro ao outro. por isso não tem jeito de andar a pé nessa cidade.
igreja multi-milionária
prédio do governo
banco anti-mendigo
esperteza: se prestar atenção ali no canto direito inferior, tem um número no meio fio. são os números das casas, já que várias delas tem muita árvore na frente, coisa e tal.
yard sale. aos domingos tem uma em cada esquina.
um dos ônibus maledetos. eles ainda são daqueles de puxar a cordinha pra pedir pra parar. e tem essa tvzinha que fica passando umas coisas horrorosas em inglês, mas mais em espanhol. pelo menos tem ar condicionado fresquinho. 
o maior anúncio que eu já vi na minha vida. e não é o outdoor ali do lado esquerdo que é pequeno não.
prédio do governo com isso gravado na pedra do lado de fora: "the highest of all sciences and services - the government". modestos eles, não?
beverly hills
esse lance fica contando sem parar. dá até medo.
essa torre aí é da produtora do david fincher. eu fui lá com a cris. é tipo muito foda por dentro, mas não rolou tirar fotos. :(

la brea tar pits

esse laguito aí com esses seres pré-históricos é na verdade um "lago de pixe", na falta de uma expressão melhor. o pixe endurecia e animais e plantas que passavam por ali ficavam presos e aí virou fóssil e eles acharam fósseis que datam da idade do gelo. até hj dá pra ver as bolinhas na superfície, dos gases que vem de debaixo da terra.

ped xing

mais um exemplo da estupidez humana. no caso, a minha. eu ja tinha visto essas placas, mas não prestei muita atenção, pensei que estivesse perto de chinatown e que as coisas fossem escritas em chinês. o que não seria nenhuma surpresa, já que metade das coisas aqui, inclusive placas de trânsito são escritas em inglês e espanhol. achei chinês normal. mas aí eu comecei a ver essa peida em todo lugar e começou a me incomodar. afinal, porque diabos estaria tudo escrito em chinês all over? aí eu perguntei pro kevin. e eis que ped xing é abreviação pra pedestrian crossing.